Trecho de uma Palestra da Mãe em Pondichérry
Esta é a condição terrestre e ela não é animadora, mas para nós,
resta uma possibilidade (já lhes falei disso várias vezes):
... mesmo que,
externamente, as coisas se deteriorem completamente e a catástrofe não possa
mais ser evitada, resta-nos - quero dizer, àqueles para quem a vida supramental não é
um sonho vão, àqueles que têm Fé na realidade dessa Vida e a aspiração de
realizá-la
- a eles resta a possibilidade de intensificar sua aspiração, sua vontade, seu
esforço, de reunir suas energias e de abreviar o tempo da Realização.
Resta-lhes a
possibilidade de fazer esse milagre individual (e colectivo até certo ponto) de
conquistar o espaço, a duração, o tempo necessário para essa Realização; de
substituir o tempo pela intensidade do esforço, e de ir bastante rápido e
bastante longe na Realização, para se libertar das consequências da situação
terrestre actual; de fazer uma concentração de Força, de Poder, de Luz, de
Verdade, de tal modo que, por essa mesma Realização, estejam acima e ao abrigo dessas
consequências e possam usufruir a protecção outorgada pela Luz e pela Verdade,
pela Pureza - a Pureza Divina pela transformação interior - e que a tormenta
possa passar pelo mundo sem que chegue a destruir esta grande Esperança do
futuro próximo; que o furacão não arrebate esse início de Realização.
Em vez de permanecer
adormecido numa quietude fácil e de deixar as coisas acontecerem segundo o seu
ritmo próprio, se
se eleva a vontade, o ardor, a aspiração em direcção à Luz, pode-se então
levantar a cabeça; pode-se ter, num plano superior de consciência, um lugar
para viver, para respirar, para crescer e se desenvolver acima do ciclone que
passa.
Isso é possível. Numa
medida bem pequena, isso já foi feito por ocasião da última guerra, quando Sri
Aurobindo aqui estava.
Isso pode voltar a ser
feito. Mas é preciso querê-lo, e que cada um faça seu próprio trabalho tão
sinceramente e tão completamente quanto lhe seja possível.
A MÃE - Mira Alfassa
Pondichérry, Índia
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