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Postura e Respiração
Como sabemos o desenvolvimento do indivíduo humano segue uma orientação
polar de sentido céfalo-caudal, ou seja, da cabeça para os pés.
Para assumir a
postura bípede é necessário vencer a lei física da gravidade, e para isto a
cabeça humana tem que se colocar no espaço buscando a verticalidade, afim de
que todo o segmento corporal - tórax e membros - sigam esta orientação e
coloquem-se espacialmente de modo a garantir a manutenção da postura alcançada
pela cabeça.posicionamento da língua no espaço funcional
que lhe é destinado na cavidade bucal é fundamental e determinante de o quão
pleno o mecanismo bípede será efetivado ao longo de seu crescimento.
A postura
ereta, com o olhar buscando o horizonte, reflete o gesto humano na criança que
em seguida, tem a liberação da língua visando articular a fala. A estruturação
da dentição decídua (“de leite”) configura a primeira delimitação de um espaço
fisiológico para a língua, que quando ocorre sem interferências externas
(chupeta, mamadeira, etc.), favorecerá a respiração nasal e o correto
posicionamento cefálico e corporal. Até os três anos de idade, quando as
arcadas decíduas estão prontas, estabelece-se um espaço bucal onde a língua irá
trabalhar intensamente, participando de modo determinante no desenvolvimento da
fisiologia cognitiva do indivíduo.
A construção deste espaço lingual e sua delimitação definitiva seguem
seu desenvolvimento até a idade adulta, com a estruturação da dentição
permanente, simultaneamente ao desenvolvimento da respiração e da postura, além
de todos os atributos característicos da espécie. Este espaço está pronto ao
redor dos vinte e um anos de idade com a erupção dos terceiros molares.
É possível então, no indivíduo adulto, observarmos a estreita relação
entre a respiração e a sustentação postural, dado que uma depende da outra e
ambas se relacionam com a qualidade e a quantidade do desenvolvimento do espaço
funcional da língua na boca.
Na prática do yoga temos um exemplo claro desta relação. Há situações em
que a respiração se perde quando a postura é alcançada; ou ao contrário, a
postura se realiza em detrimento da respiração. No entanto, quando o equilíbrio
é atingido, a prática nos parece fácil, além de bela. Isto nos faz pensar ser
impossível separar respiração e postura.
Façamos o exercício imaginário de trazer o exemplo para a vida
cotidiana, onde não podemos parar de respirar um minuto sequer, enquanto, ao
mesmo tempo, também procuramos manter uma sustentação postural a mais adequada
possível.
Sob este olhar, a impressão que nos ocorre é a de que o simples respirar
e ficar em pé não são assim tão simples apesar de absolutamente automáticos
(reflexos). Da mesma forma, não percebemos com que qualidade respiramos e nos
colocamos em pé. Será que o fazemos com todo o nosso potencial?
Extraído do site http://www.bioaxis.odo.br
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